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Abraçar de novo a vida

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O psicólogo Ricardo Julião descreve os benefícios do Reiki em sua tese de doutorado na UNIFESP (Foto: Silvana Tarelho)

A depressão é um distúrbio sistêmico, que não ocorre - como normalmente se imagina - apenas na psique, com alteração drástica do humor e baixa emocional. Ela costuma vir associada a uma série de problemas físicos, sinalizando tratar-se de um desequilíbrio psicofísico que merece uma abordagem integrada.

A falta de energia física, de apetite, angústia e tristeza constantes preocupam os familiares de Rosa Maria Rodrigues. Para ela, nada disso tem explicação concreta. Só uma negatividade que toma conta de seu ser. E, quanto mais se esforça para não pensar em coisas negativas, mais se sente povoada por essas sombras, fechando-se em si mesma como relata, com muito medo de contaminar as pessoas com sua tristeza profunda.

"Na verdade, me sinto um peso, um fardo para minha família", atesta ela, que se separou do marido ainda jovem, sem emprego, com sete filhos para criar, e hoje está longe de encontrar em si a mesma garra que tinha anos atrás para tocar sua família após o divórcio.

Perdas e dores

Dores de coluna, edemas nas pernas e uma série de outros problemas de saúde acompanham o estado depressivo da costureira, que tem sido resistente até para procurar ajuda médica. Por se sentir totalmente dependente, diz não ter mais motivação para nada. "Tudo tenho que pedir. Sinto-me muito mal por não poder mais contribuir com meus filhos", admite.

O tratamento medicamentoso inicial para a depressão, a fim de alterar a bioquímica do cérebro, avisa a psiquiatra Iraci Ribeiro, é essencial para que o paciente tenha um pouco de força para tomar novas condutas diante da vida. Esta, após cada fase e suas consequentes perdas, necessita de um trabalho profundo de resignificação.

A médica cita o caso de Robert Dilts, relatado em seu livro "Crenças - Caminhos para a saúde e o bem estar" (Summus Editorial), que conseguiu reverter o quadro de sua mãe, em depressão na terceira idade por tantas perdas sofridas e, consequente, câncer. Dilts, especialista em engenharia comportamental e consultor em Programação Neurolinguística, ajudou sua mãe a ressignificar situações vividas, buscando sentido para sua existência.

A cada trecho concluído de nossa caminhada, diz Dra. Iraci, é valioso buscarmos novos significados à nossa maneira de pensar e perceber tanto a vida como a nós mesmos. As pessoas envelhecem porque não se renovam, escolhem obstinadamente "ficar paradas no tempo, esta é a verdade", atesta a psiquiatra.

Há formas de se evitar a depressão? Nem sempre. Apenas pode-se tomar medidas profiláticas para, em cada ciclo que se encerra, não deixar a "peteca cair". O dinamismo, a preparação para a conclusão de cada etapa é fundamental.

Foi o que fez a psicoterapeuta Irene Lage, hoje com todos os recursos profissionais e pessoais para ajudar outras pessoas a superarem seus desafios existenciais e saírem do comportamento automatizado. "Precisamos estar unificados para perceber os pensamentos, emoções e sensações que estamos usando para gerar comportamentos".

Dra. Iraci Ribeiro, justifica, que o encadeamento do pensamento até a expressão das emoções em ação, nas pessoas deprimidas, costuma ser voltado para os dramas e tragédias, para a crítica, a insatisfação e a frustração. "Essas pessoas, ao menos momentaneamente, têm dificuldade em conseguir ver os aspectos positivos naquilo que fazem no dia a dia".

A ilusão de se aposentar

A médica e a psicoterapeuta confirmam que veem pessoas que passam uma, duas, até três décadas de suas vidas em um trabalho que não apreciam e não fazem absolutamente nada para mudar. Há muitos jovens que são rabugentos e que, mal sabem, já estão cultivando a semente de um futuro mal estar psicofísico.

Muitas pessoas afirmam que não suportam o próprio trabalho. Nutrem de forma equivocada a ilusão de que com a aposentadoria irão ter uma vida agradável. E, como não se preparam para isso - traçando novos objetivos e metas existenciais - quando param de trabalhar acabam se deprimindo e adoecendo mesmo.

Dependendo dos conceitos que tiverem dentro de si, sua vida será expressão disso. Se desvalorizam o envelhecer, não tiverem autoestima, tudo se complica, uma vez que os padrões de beleza, bem estar e consumo da sociedade contemporânea são muito elevados.

Precisamos estar unificados para perceber os pensamentos, emoções e sensações"

Se desvalorizam o envelhecer e não tiverem autoestima, tudo ficará mais complicado"
Irene Lage
Psicoterapeuta

OPINIÃO DO ESPECIALISTA
* Maria Irene de Albuquerque Lage

A psicoterapia breve focal é uma forma de atuação específica na prática da psicoterapia, cujo objetivo é atender o cliente dentro de uma linha breve e focal. É amplamente difundida e conta com várias linhas de abordagem, dentre elas, a Gestalt.

Por ser focalizada atende de forma breve e eficaz. O terapeuta, nesta abordagem, assume uma postura ativa e participativa em relação ao cliente. Seu direcionamento dinâmico exige planejamento para se conseguir um tempo curto de atendimento.

Atualmente, há necessidade de intervenções objetivas e pontuais, onde a questão tempo deve ser entendida como algo real, em situações críticas que ocorrem com as pessoas, ou até mesmo as que não se situam em quadros patológicos, como mudança profissional ou do tipo de vida, inclusive quanto ao idoso, por evitar uma mobilização afetiva mais intensa.

A metodologia da terapia breve focal é tão profunda quanto às das terapias convencionais, o que exige do profissional um maior preparo, experiência e critério em sua utilização.

* Psicoterapeuta, especialista em Programação Neurolinguística e Gestal

Amor é o maior dos antídotos para depressão

A depressão, é importante que se diga, não é um problema exclusivo de quem está no entardecer da vida. O psicólogo paulista Ricardo Monezi Julião de Oliveira atravessou um período difícil na adolescência e relatou, durante uma conferência em Fortaleza no domingo passado, no II Encontro de Reiki para a Paz, na Universidade Estadual do Ceará, que sua crise só não perdurou mais por conta de uma tia, que lhe indicou um tratamento da Medicina Integrativa, com imposição de mãos.

Mesmo sem acreditar, recebeu a terapia e recarregou-se de amor e da energia Reiki, largando gradativamente os pijamas e a letargia, comum em quem perde a vontade de viver.

Em seu mestrado, pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Monezi avaliou a imposição de mãos sobre camundongos machos. Constatou a ativação dos sistemas hematológico e imunológico dos ratos e desaparecimento de seus tumores. Prestes a concluir sua tese de doutorado pelo Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), ele vibra com os resultados da pesquisa sobre os efeitos da mesma terapia (Reiki) no comportamento, atividade hormonal e imunológica de pacientes idosos. O amor, por sua própria experiência, é o maior antídoto para estados de estresse e depressão, diz.
 

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